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sexta-feira, fevereiro 26, 2021

EUA X China: dos “coolies” ao 5G

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Denominados “coolies”, chineses colhiam nas colônias com salários irrisórios e condições de trabalho degradantes

Quem se preocupa com o nível de tensão das relações entre Estados Unidos (EUA) e China, por causa do 5G e do que ele representa, na disputa dos países desenvolvidos pelo domínio mundial tecnológico, comercial, econômico, político e militar, talvez entenda melhor o que está ocorrendo e quais são as reais possibilidades de solução, se souber sobre os episódios turbulentos entre eles, desde que os dois países estabeleceram relações diplomáticas, em 1844. A começar pelo tratamento dispensado a dezenas de milhares de trabalhadores migrantes chineses (os “coolies”) pelos norte-americanos, a partir de 1860.

Logo depois da Segunda Guerra do Ópio (1856-1860), na China, ocorreu a Guerra de Secessão nos EUA (1861-1865), essa com estimados 600 mil mortos – equivalentes a seis milhões hoje – cujo final coincidiu com a libertação dos escravos (oficializada na 13ª Emenda Constitucional dos EUA, em 1865). Desses três acontecimentos resultaram a necessidade de chineses migrarem para outros países, inclusive para os EUA; a “importação” de milhares de trabalhadores chineses por empresários ingleses, franceses e norte-americanos para vários países; e a necessidade de fazendas, minas, ferrovias e outras atividades nos EUA, que exigiam grande quantidade de trabalhadores que aceitassem trabalhar em condições muito difíceis e ganhando muito pouco.

Denominados “coolies”, chineses, indianos e de outros países asiáticos, colheram algodão, cana de açúcar etc., nas colônias inglesas e francesas e nos EUA, “contratados” para trabalhar por cinco anos, com salários irrisórios e condições de vida e trabalho degradantes. Nos EUA, os chineses sofriam com o racismo, a fúria dos trabalhadores norte-americanos (os salários baixos dos chineses rebaixavam seus salários, e sua grande quantidade praticamente acabava o emprego nas épocas de recessão), e as limitações crescentes à sua vida nos EUA, impostas através de sucessivas leis estaduais.

Havia muita pressão de trabalhadores e legisladores norte-americanos contra os chineses. Muito interesse também de empresários em contratá-los e mantê-los. E os acordos com a China, que o presidente e o Congresso precisavam respeitar. Por isso, algumas leis estaduais contrárias aos chineses foram derrubadas, o que só contribuía para aumentar as tensões. A Constituição da Califórnia, de 1879, considerava que os “coolies” eram uma forma de escravidão e, como tal, inaceitável no estado – e os contratos de trabalho de “coolies” deviam ser anulados.

Quando a ferrovia transcontinental começou a ser construída, em 1862, com grande quantidade de trabalhadores chineses, foi promulgada a Lei Anti-Coolie, para proteger trabalhadores norte-americanos da concorrência. O Tratado de Burlingame, de 1868, aboliu lei do governo da China e possibilitou o aumento da migração chinesa para os EUA. Em 1882, a Lei de Exclusão da China, suspendeu a imigração de trabalhadores chineses por dez anos e restringiu sua circulação nos EUA (essa lei só foi revogada em 1943). E em 1888 foi aprovada a Lei Scott, que proibia chineses, inclusive residentes legais, de voltarem aos EUA após irem à China. Durante a primeira metade do século 20, as relações entre os EUA e a China “foram e voltaram” com frequência quase anual, até 1949, quando então ocorreu o rompimento mais duradouro, de caráter ideológico – dessa vez, os EUA trocaram a China por Taiwan.

Faz muita falta um balanço desses quase 180 anos de relações diplomáticas, ou 236 anos, se incluídos os 60 anos de relações comerciais, desde a chegada em Guangzhou, em 1784, do “Imperatriz da China”, navio da Filadélfia que teria sido o precursor do comércio dos EUA com os chineses. Em caráter preliminar, fica evidente que até agora os chineses “ganharam todas” as quedas de braço políticas com os norte-americanos – a mais importante sem dúvida em 1979, quando os presidentes Jimmy Carter e Deng Xiaoping assinaram o restabelecimento das relações diplomáticas, com os EUA atendendo a principal exigência de uma única China, o que na prática liquidou com o protagonismo de Taiwan no cenário mundial.

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