O novo supercomputador de inteligência artificial (IA), que será adquirido pelo governo federal por mais de R$ 1 bilhão, ficará localizado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, que está associado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em Macaíba, na região metropolitana de Natal.
Conforme anunciado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o edital para a concorrência pública visando a compra do supercomputador será publicado no Diário Oficial da União (DOU). Os fundos destinados a essa aquisição provêm do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Este equipamento terá uma capacidade impressionante de 7.200 petaflops, o que equivale a aproximadamente 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo. A unidade petaflop é utilizada para mensurar o poder de processamento dos supercomputadores, onde um petaflop representa 1 quatrilhão de cálculos por segundo.
Dessa forma, um supercomputador com 7.200 petaflops seria capaz, teoricamente, de realizar até 7,2 quintilhões de operações com ponto flutuante em um único segundo. Para ilustrar, atualmente, o computador mais potente do Brasil é o supercomputador Santos Dumont, localizado no Rio de Janeiro, que opera com uma capacidade de 27 petaflops.
A nova máquina estará disponível para universidades, empresas e instituições científicas e governamentais com o intuito de promover o treinamento de modelos e o desenvolvimento de aplicações em IA. A gestão desse sistema ficará a cargo do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).
A proposta visa fomentar a pesquisa e inovação no país, criando oportunidades para novos produtos e serviços através da ampliação da capacidade computacional nacional.
“Vamos diminuir nossa dependência. Sessenta por cento do processamento relacionado à inteligência brasileira ocorre fora do país; agora teremos essa capacidade aqui”, afirmou a ministra Luciana Santos, do MCTI. Ela também destacou que este supercomputador estará entre os dez mais potentes ao redor do mundo.
A ministra ressaltou que o edital incluirá requisitos como transferência de tecnologia e capacitação profissional local. Estima-se que cerca de 5 mil brasileiros serão treinados nos próximos cinco anos através deste projeto.
Esta iniciativa faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que visa fortalecer a infraestrutura tecnológica nacional, bem como aprimorar a formação profissional e garantir governança digital com autonomia.
“Vamos mostrar que nossos acadêmicos e jovens talentosos não devem nada a ninguém; eles só precisam ter acesso às oportunidades necessárias”, declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o evento que anunciou a nova aquisição.
A escolha pela região Nordeste foi fundamentada na intenção de mitigar as desigualdades tecnológicas existentes e aproveitar a abundância de recursos energéticos renováveis da área, sendo esta uma líder na geração de energia eólica no Brasil.
Chips de Código Aberto
Outra proposta em andamento é o desenvolvimento de chips baseados na arquitetura aberta RISC-V para diminuir a dependência em relação às arquiteturas proprietárias. Essa iniciativa envolve colaborações com cerca de 70 países e está prevista para levar entre 10 a 15 anos para ser concluída.
De acordo com informações do MCTI, esta linha será liderada pelo Instituto Eldorado em Campinas (SP), em parceria com um ecossistema inovador localizado em Barcelona, Espanha. O objetivo é aumentar a autonomia brasileira sobre tecnologias essenciais para computação avançada e inteligência artificial.
Transferência Tecnológica
Uma nova colaboração tecnológica também está sendo estabelecida no Rio de Janeiro através da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), envolvendo parcerias com as empresas chinesas Huawei e Iflytek.
Essa iniciativa busca expandir as capacidades computacionais por meio da transferência tecnológica e colaboração em pesquisas. Além disso, inclui a formação profissional necessária para desenvolver uma pilha própria de software no Brasil.
Está nos planos também criar um modelo nacional de linguagem em larga escala (LLM) voltado à inteligência artificial em português. Isso permitirá desenvolver soluções mais adequadas ao contexto brasileiro. O investimento público previsto é superior a R$ 1 bilhão ao longo dos próximos cinco anos, com início das atividades esperado para julho de 2027.
Em julho deste ano, foi formalizada a criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), cuja sede será em Xangai, China. Esta entidade visa estabelecer uma governança global para IA utilizando modelos abertos que possam ser acessados por diferentes organizações ou empresas.
Nuvem Brasileira
O evento realizado no Rio Grande do Norte também resultou na assinatura de um acordo entre o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serpro e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo é estruturar um projeto voltado à criação de uma alternativa brasileira para armazenamento e processamento seguro dos dados.
A intenção é diminuir a dependência atualmente existente em relação aos grandes provedores internacionais responsáveis pela guarda dos dados computacionais.
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