Dia desses estava vagando pela internet ouvindo leituras de poesias. Até que me deparei com um texto chamado “Monotonia”, atribuído a Fernando Pessoa. Esse poema aborda a relação entre felicidade e a capacidade de “monotonizar” a vida, mostrando como pessoas que levam uma existência aparentemente simples podem encontrar momentos de prazer nessa rotina.
Esse tema traz à tona uma discussão relevante nos tempos atuais, em que o interesse nas ciências sociais e na psicanálise vem crescendo. Será que a chave para a cura e para uma vida melhor está na desaceleração do ritmo diário, aceitando a simplicidade do cotidiano e focando mais em si mesmo e na natureza, ou devemos buscar constantemente a transformação, em busca de progresso?
Por outro lado, temos o português Cristiano Ronaldo, que aos 40 anos acumula números impressionantes de gols, títulos e riqueza. Recentemente, soube que sua família adquiriu imóveis no Litoral Norte do RS. Enquanto muitos atletas param nessa fase da vida, Ronaldo continua em busca de novas metas, como marcar seu milésimo gol, tornando-se um símbolo da cultura contemporânea de produtividade e disciplina.
Enquanto Cristiano busca constantemente se aprimorar, parecendo nunca estar satisfeito, Fernando Pessoa enxergava beleza até mesmo na inércia das pedras, apreciando a existência por si só. Enquanto um busca reconhecimento e realizações que a sociedade valoriza, o outro parece refletir a solidão do habitante urbano que passa pelos dias em um apartamento, imerso em pensamentos e livros.
Ambas as experiências têm suas fontes de satisfação, mostrando como estamos conectados ao mundo exterior, influenciados por valores coletivos. Mas também há momentos em que precisamos nos desconectar e deixar o mundo lá fora.
No entanto, algo importante que não pode ser esquecido nessa reflexão é a presença do outro. Entre a busca por reconhecimento social e o amor cotidiano, é fundamental considerar a maneira como nos relacionamos com o mundo e com as pessoas ao nosso redor.
Em comum, há a constante incógnita sobre o que realmente buscamos e quando finalmente nos sentimos realizados. Navegamos entre ilusões, sem saber ao certo o que nos aguarda do outro lado do mar.
