O senador Flávio Bolsonaro e sua família utilizaram um voo particular que foi contratado e pago por um intermediário do setor aéreo residente nos Estados Unidos. Essa informação foi revelada ao jornal AFP (Agência France-Presse) por Luis Grande, empresário argentino e proprietário da Baires Fly, a empresa que realizou o transporte, durante uma entrevista na última quinta-feira (29).
Luis Grande informou que esse intermediário, com quem tem uma relação de dez anos, transferiu US$ 150 mil (aproximadamente R$ 800 mil) de uma conta empresarial em um banco americano para uma instituição financeira na Argentina. O empresário não divulgou o nome do corretor nem soube informar para quem ele estava trabalhando.
Assessores de Trump mencionados na contratação do voo
Os veículos de comunicação The New York Times e The Wall Street Journal relataram que o voo foi fretado por Jason Miller, um assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Contudo, a declaração de Grande à AFP não confirma a ligação de Miller com o fretamento nem revela quem foi o responsável pela solicitação do voo. Até quinta-feira, a Casa Branca ainda não se manifestou sobre essa situação.
Flávio deixou o Brasil após derrota nas eleições
Flávio Bolsonaro sofreu uma derrota para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais realizadas no domingo (25). Apesar de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que impedia sua saída do país e exigia a entrega dos passaportes, o senador decidiu deixar o Brasil com sua família.
Atualmente, Flávio é alvo de investigações em dois inquéritos conduzidos pelo Supremo Tribunal Federal. Um desses inquéritos envolve acusações de lavagem de dinheiro e menciona também o advogado Willer Tomaz.
Segundo informações do Departamento Nacional de Migrações da Argentina, Flávio, sua esposa e as duas filhas atravessaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, às 22h50 da terça-feira (27). As autoridades argentinas confirmaram que a família apresentou documentação válida para entrada no país e não havia registros legais que impedissem sua passagem naquele ponto migratório.
Às 23h30, o grupo embarcou em um avião da Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami. A família ingressou nos Estados Unidos com vistos humanitários concedidos durante o governo Trump.
Grande mencionou que inicialmente o intermediário havia solicitado o voo para segunda-feira (26), mas acabou adiando para a tarde da terça-feira. O embarque foi realizado apenas à noite.
