Em Canoas, 34 indivíduos recorreram à Polícia Civil, que indiciou a empresa JPF Turismo Religioso e seu responsável, Márcio Flores, por estelionato. O inquérito foi encaminhado ao Judiciário em 18 de setembro.
A JPF Turismo Religioso, em comunicado, declarou que está enfrentando dificuldades financeiras e que trabalha para reembolsar as vítimas o mais rápido possível. Segundo a empresa, que atua há 13 anos, o problema ocorreu somente nas duas últimas romarias para Aparecida.
Além disso, em Novo Hamburgo, a polícia também recebeu denúncias, identificando até o momento 44 vítimas com um prejuízo estimado em cerca de R$ 74 mil. Os casos envolvem não apenas Aparecida, mas também viagens internacionais.
O delegado Tarcísio Lobato Kaltbach, da 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, informou que a investigação continua em andamento.
“Até agora, foram identificadas vítimas de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, Araricá, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Canoas e Rolante.”
Há também registros de investigações em Bagé, na parte sul do estado.
Viagem programada para julho
A viagem estava agendada para o dia 27 de julho, mas os dois ônibus esperados não compareceram ao local de embarque. A maioria dos envolvidos, que são fiéis da paróquia Sagrado Coração de Jesus em Canoas, possui mais de 60 anos e muitos deles planejavam a viagem para cumprir promessas.
“Não houve qualquer explicação, nem antes nem depois, e até 18 de setembro, quando o inquérito foi enviado com o indiciamento, não houve pagamento ou ressarcimento, e nenhuma iniciativa nesse sentido por parte do organizador”, comentou o delegado Cristiano Reschke, diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana de Canoas.
Os relatos das vítimas indicam que muitos não tinham condições de pagar a viagem de forma integral e precisaram parcelar o valor. Diante do cancelamento inesperado e da ausência de reembolso, o caso começou a ser investigado.
A polícia esclareceu que, mesmo que a viagem não tenha sido inicialmente planejada para causar prejuízo, o organizador assumiu o risco ao não informar os passageiros que não conseguiria cumprir o compromisso.
Para prevenir situações semelhantes, a polícia recomenda que se verifique o histórico das agências antes de firmar contratos.
“Ao contratar uma empresa, pesquise no site da Receita Federal se o CNPJ está ativo. Consulte o Cadastur e o Reclame Aqui para verificar se há reclamações relacionadas àquela empresa ou agente que está sendo contratado. Essas são as principais medidas que quem está contratando um serviço deve tomar”, orientou o delegado.
Fiéis ficam sem viagem para Aparecida e agência de turismo é indiciada no Rio Grande do Sul.
Declaração da JPF Turismo Religioso
“A empresa está enfrentando dificuldades no momento, mas estamos trabalhando para reembolsar todos os nossos romeiros o mais rápido possível. A JPF já existe há 13 anos, realizando mais de 400 romarias para Aparecida nesse período e mais de 30 peregrinações para a Terra Santa, totalizando mais de 10.000 clientes. Sempre honramos nossos compromissos, mas infelizmente, nas duas últimas romarias, não conseguimos. Já devolvemos valores para alguns romeiros e posso fornecer contatos para confirmação.”





