No Rio Grande do Sul, mais de 58 mil pessoas continuavam à espera da primeira consulta nas áreas de oftalmologia geral para adultos e ortopedia de joelho, mesmo após os primeiros meses de implementação do programa “SUS Gaúcho”. Essas duas especialidades eram responsáveis pelas maiores filas no estado.
Em abril do ano em questão, o número total de pacientes esperando por uma primeira consulta nessas especialidades alcançava 154.704. O governo estadual informou que as iniciativas do programa resultaram em uma diminuição da demanda em 62,4% nos três primeiros meses de sua execução.
Apesar dessa redução significativa, a quantidade de pessoas na fila ainda permanece alta. No campo da oftalmologia geral adulta, em abril de 2025, havia 133.886 indivíduos aguardando atendimento. Esse número caiu para 55.454 em dezembro daquele ano, representando uma queda de 59%.
Já na ortopedia de joelho, a fila diminuiu de 20.818 pessoas em abril para 13.291 em dezembro, o que equivale a uma redução de 36%.
No total, ambas as especialidades ainda contavam com 68.745 pacientes na fila até dezembro de 2025. Em janeiro de 2026, esse número foi registrado em 57.203 usuários: sendo 46.597 na oftalmologia e 10.606 na ortopedia de joelho.
Novas filas em 2026
O relatório preliminar do SUS Gaúcho indica que a demanda por consultas especializadas continua elevada também nas novas especialidades introduzidas em 2026.
Em janeiro deste ano, as seis especialidades selecionadas registraram uma fila total de 106.683 usuários. Ao chegar em maio, esse número foi reduzido para 98.563 pessoas.
O programa visa oferecer um total de 57.889 atendimentos até julho de 2026, o que representa cerca de 54,2% da fila contabilizada em janeiro. Até maio, haviam sido agendados 34.603 atendimentos e restavam ainda 18.579 consultas por agendar.
As especialidades abrangidas incluem oftalmologia geral adulta, ortopedia de joelho, otorrinolaringologia, ortopedia geral, dermatologia e urologia/litotripsia.
Na área de oftalmologia, a fila era composta por 46.597 pacientes em janeiro e até maio já tinham sido agendados 18.853 atendimentos; restando ainda a agendar outras 5.203 consultas. O governo prevê uma redução de até 52% da fila até julho.
Para a ortopedia de joelho, havia na fila um total inicial de 10.606 pessoas em janeiro; até maio foram agendados 4.292 atendimentos e ainda existem outras 3.278 consultas pendentes para agendamento com expectativa de queda de aproximadamente 31% até julho.
Na otorrinolaringologia havia um total de 20.242 usuários na fila no início do ano; até maio foram realizados agendamentos para 3.621 deles enquanto restam ainda outras cinco mil consultas pendentes a serem agendadas com expectativa de redução na ordem dos 45%.
A ortopedia geral contava com uma fila composta por12.465 pacientes; até maio já haviam sido agendados quatro mil atendimentos e existiam ainda seis mil consultas sem data marcada; a expectativa é reduzir essa fila em até80%.
No caso da dermatologia, o número inicial era de15.057 pacientes esperando atendimento; foram agendados até agora3.598 e restam6.916 consultas por marcar com previsão de queda no total da fila em cerca de70%.
Por fim, na urologia/litotripsia existiam1.716 usuários aguardando consulta; nesse período foram agendadas239 consultas e412 ainda não foram marcadas com expectativa para redução da fila atingindo38%.
Tempo de espera
O relatório fornecido pelo governo não apresenta informações sobre o tempo médio que os pacientes aguardam por suas consultas, dado que poderia ajudar a medir o impacto real das reduções nas filas para aqueles que ainda estão à espera do atendimento.
O material produzido pelo Piratini destaca que fatores como irregularidades nos cadastros dos pacientes, ações regulatórias e índices elevados de absenteísmo podem afetar significativamente a redução efetiva das filas; assim sendo, nem sempre a adesão registrada se traduz automaticamente em atendimentos realizados.
Atendimentos e mutirões
Conforme informado pelo governo estadual, foram realizados um total de96.531 atendimentos nas duas primeiras especialidades abarcadas pelo programa durante o ano passado, com um investimento estimado em R$130,5 milhões somente em2025.
Na área da oftalmologia foram contabilizados84.606 atendimentos através dos mutirões organizados em35 hospitais e clínicas ao longo do período analisado.A média mensal das consultas ofertadas saltoude8,2mil no ano anterior para30,9mil nos três primeiros meses do programa.O pico ocorreu em novembro com36.474 consultas realizadas.
Para a ortopedia do joelho foram organizados mutirões que atenderam56 hospitais e realizaram11.925 atendimentos.A média mensal subiu consideravelmente,de1,3mil antes do programa para cinco mil durante os três primeiros meses,resultando num total aproximado15,1mil consultas ofertadas nesse mesmo intervalo.
Além disso,houve um aumento significativo nas cirurgias ortopédicas relacionadas ao joelho.A média mensal passoude201 procedimentos realizados anteriormente para1 mil nos três primeiros meses,resultando numa soma total aproximada3,4mil cirurgias realizadas nesse período inicial do programa.
Diferenças regionais
Os dados disponíveis também revelam desigualdades no ritmo da diminuição das filas nas diferentes regiões do estado.
Na oftalmologia,a primeira Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) concentrava39.287 pessoas aguardando atendimento em dezembro último,ainda que tenha havido uma redução significativade42%.Essa região engloba Porto Alegre e municípios adjacentes como Vale dos Sinos,Vale do Caí,Vale do Paranhana,e outras localidades como Encosta da Serra,e região Carbonífera além da Costa Doce.
A terceira CRS responsável pela região Sul não registrou nenhuma diminuição nesse período,e manteve-se com1.906 usuários à espera por atendimento médico especializado.
Em relação à ortopedia do joelho,a primeira CRS continuava com3.300 pessoas à espera por consulta no final do ano.Com um desempenho semelhante,a sexta CRS que atende Passo Fundo e partes da região Norte também teve apenas uma leve reduçãode5%, passando seus númerosde2.558para2.439 usuários à espera por atendimento nessa especialidade específica.
Investimentos
O projeto SUS Gaúcho foi lançado com o objetivo ambicioso deque as filas para as principais consultas especializadas fossem reduzidasem cerca de70%.Essa iniciativa se fundamenta na regionalização adequada,direcionamento dos serviços conforme as necessidades locaise regulação atravésde uma única lista priorizada baseadaem critérios técnicos estabelecidos previamente.
Para o ano corrente,o governo destinaR$324 milhões visando diminuir as maiores filas eletivas nas especialidades escolhidas.Dentro desse contexto,o pacote geral dos serviços implantados neste exercício financeiro somaR$747,7 milhões.
Até o fechamento do ano fiscalem2026,a estimativa éque o investimento total realizado pelo SUS Gaúcho alcanceR$1 bilhãona rede pública estadual,somando-se aos recursos já previstos no orçamento.Este planejamento aponta tambémque o programa pode atingiratéR$6 bilhõesaté2030!
