O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) II Cais Mental está comemorando 30 anos de atendimento a pessoas com sofrimento psíquico grave e persistente neste mês de janeiro. Localizado em Porto Alegre, foi a primeira estrutura a se transformar em Caps na cidade, antecedendo a reforma psiquiátrica estabelecida no país a partir de 2001.
Inicialmente conhecido como Centro de Atendimento Integral em Saúde Mental (Cais Mental), o serviço mantém esse nome até hoje.
O CAPS II faz parte da Rede de Atenção Psicossocial da Secretaria Municipal de Saúde e está localizado na avenida José Bonifácio, no bairro Farroupilha, há duas décadas. Funciona de segunda a sexta-feira e não conta com leitos em sua estrutura. Ao longo dos últimos 30 anos, aproximadamente 3,5 mil pessoas foram atendidas diretamente pelo serviço, além de outras indiretamente beneficiadas.
“Entendemos que a coletividade nos atendimentos é o que garante o cuidado. As pessoas chegam com processos de dificuldade de inclusão, interação e socialização. Nosso foco não é o atendimento individualizado, claro que ele também é feito, mas o atendimento coletivo é o nosso lugar de transformação”, relata a terapeuta ocupacional Tatiane Patrícia Souza da Silva.
Atendimento singular
O trabalho é baseado em um Plano Terapêutico Singular, no qual cada indivíduo tem terapeutas de referência e participa da criação do próprio plano.
“Partimos da prerrogativa de protagonismo social, no qual as pessoas estão corresponsáveis pelo processo de cuidado. Utilizamos a lógica do afeto, do cuidado em liberdade, pela prática da reabilitação psicossocial, tentando evitar as internações”, afirma Tatiane.
Nas oficinas, os profissionais incentivam produções artísticas, culinária, práticas corporais, horta, expressão verbal e grupo de apoio. As decisões sobre as atividades são tomadas em assembleias com ampla participação.
“Eu gosto de tudo, as oficinas, os profissionais, aqui temos uma equipe multidisciplinar que trabalha para a gente evoluir e ficar melhor”, diz Carlos Jacques da Rosa, de 47 anos. “O Caps é minha família, meu lar, onde eu recebo o que preciso para sobreviver. Parei de fumar e usei o que aprendi na terapia de corporeidade, com técnicas de respiração. Na oficina de culinária, aprendemos a ter autodomínio”, completa.
O Caps também organiza passeios a museus, teatros, cinema e eventos como a Feira do Livro. “O Caps supre as nossas carências em termos de sociedade, nós somos integrados. Aqui a gente aprende a conversar, a resolver os problemas, a trazer nossas famílias para que sejam ouvidas”, relata Savana Duarte, de 49 anos.
Equipe
A equipe é composta por três psiquiatras, duas terapeutas ocupacionais, dois psicólogos, enfermeiro, assistente social, cinco técnicos de enfermagem, monitora, técnica em nutrição, cozinheira, auxiliar de cozinha, duas profissionais da higienização e duas atendentes na portaria. Além disso, o serviço recebe o apoio de residentes de psiquiatria e equipes multidisciplinares de diferentes instituições de ensino.
O espaço possui cinco consultórios, recepção, sala de espera, sala de reuniões da equipe técnica, sala para grupos, sala de estar com livros, setor administrativo, cozinha, refeitório e pátio. O Caps possui um Conselho Local de Saúde ativo, fomentando a participação social, com representação em instâncias do Conselho Municipal de Saúde. Novos usuários são encaminhados por unidades de saúde através do Sistema de Gercon (Gerenciamento de Consultas).
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